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Resenha: Uma Vida Menos Ordinária

Olá queridxs ! Como estou super na vibe de biografias, em especial de pessoas de outras culturas, vou postar outra resenha do gênero pra vocês ! Hoje eu vou falar sobre o livro Uma Vida Menos Ordinária, biografia da Baby Halder.


Pois bem, este livro realmente mexeu muito comigo ! É um pouco cliché dizer isso, mas eu sempre repito duas coisas para quem ouve minhas críticas em relação a livros: que eu gosto tanto de biografias e histórias sobre sofrimento humano primeiramente porque eu tenho sensibilidade ao real sofrimento humano e talvez por isso escolhi a psicologia como ciência e profissão para minha vida, e em segundo lugar sou completamente apaixonada por biografias e histórias fortes pois isso faz com que eu exercite minha auto reflexão, seja mais grata pela vida que tenho e reconheça que nem todos tem a sorte que eu tenho. Isso, claro, não me impede de continuar meu ativismo por causas "menores", com ênfase nas aspas.

Uma Vida Menos Ordinária é um livro muito bonito, que realmente possui narrativas que emocionam ao mesmo tempo que chocam. Baby Halder é uma mulher indiana de muita força e coragem que sofreu uma série de desgraças em sua vida que definitivamente nenhuma mulher deveria ser submetida, porém sempre lutou pela educação dos filhos, enfrentando jornadas de trabalho muito longas e momentos humilhantes enquanto se perguntava se um dia as coisas iriam melhorar para ela e seus filhos. É realmente emocionante ver como apesar de todo o contexto sofrido de suas gestações e partos, ela sempre esteve focada no melhor para seus filhos e os amava tão intensamente.

                 

 Baby foi abandonada pela mãe aos quatro anos de idade e sofreu muito com a separação. Quando sua primeira menstruação veio, ela tinha apenas 12 anos de idade e seu pai logo se apressou em casar-lhe e não se preocupou muito em escolher um bom marido, já que essa é a tradição na Índia. A partir daí Baby que já sofria com inúmeros conflitos na casa de seu pai, passou a viver uma rotina ainda mais dolorosa e humilhante, até o dia em que decidiu bravamente na posição de mulher e mãe mudar de vida por si mesma, e após um longo período de muitas dificuldades encontrou bondade e a oportunidade de estudar, conhecendo a literatura. 
Parafraseando o que o próprio livro traz na contracapa...

Parece Impossível inventar uma história tão emocionante. Por isso ela preferiu apenas contar.

Baby Halder foi também aclamada pelo New York Times pela sua história, o jornal colocou que "Quase nada na trágica infância de Baby Halder poderia sugerir que ela se tornaria uma estrela emergente no horizonte literário indiano."


Uma das partes que eu gostaria de colocar aqui sobre o livro não tem muita ligação com o sofrimento de Baby, mas sim com algo que ela gostava muito de fazer e me encantou enquanto aspecto cultural, simplesmente adorei. 
Baby adorava auxiliar nos preparativos de festividades e sempre ajudava com a decoração, que é o que faz as festividades indianas serem belíssimas como são ! Baby sempre era chamada para fazer a alpana, que são tradicionais desenhos no solo que compõe-se geralmente por figuras geométricas que devem ser traçadas numa linha contínua, pois segundo as crenças indianas assim os espíritos maus não se infiltram nas interrupções e a casa se enche de bons fluídos. São desenhos muito bonitos, e na capa do livro tem um exemplo de alpana, já penso em uma tatuagem nova <3 haha


Para finalizar, nem preciso dizer que indico demaiiiis essa biografia e coloco como argumento final que Baby Halder é um exemplo de superação e de mulher com verdadeira coragem ! Para terminar esse post, deixo um detalhe muito legal, que é o de Baby mesmo com pouco estudo ter feito tanto sucesso literário e ganhado o selo Kali for Womens, que dedica-se á publicação sobre e para mulheres na Índia ! Quem dirá depois de ler a história de Baby que as políticas feministas não são puro amor ? Espero que adquiram e gostem do livro, boa leitura !




Resenha: Eu Sou Malala - Malala Yousafzai com Christina Lamb

Olá queridxs ! Depois de um bom tempinho, estou de volta ♥ Andei um pouco ocupada nos últimos dias com a leitura de um livro muito bom de psicanálise, logo que minha análise crítica for corrigida eu vou postar aqui ! Para quem se interessa por psicologia infantil, psicanálise e especialmente psicanálise com bebês, eu indico o livro Corpos que Gritam.

Hoje vou fazer uma resenha breve sobre a biografia da Malala Yousafzai e o que eu mais gostei no livro. Eu sou um pouco suspeita para escrever sobre biografias, em especial biografias de pessoas de outras culturas, pois não é segredo que eu sou completamente apaixonada pelo gênero ! Então vamos lá...



Ok, para quem nunca ouviu falar da Malala, ela é uma menina Paquistanesa que foi baleada pelo Talibã quando tinha apenas 14 anos por conta de seu forte ativismo. Malala juntamente com seu pai se tornaram ícones da defesa à educação, em especial do direito de educação para meninas no oriente médio.

Malala como uma menina tão estudiosa não poderia deixar de fora de sua biografia detalhes importantes da história do seu país e do lugar onde vivia, o vale do Swat. O livro é recheado de informações sobre a história política do Paquistão e Malala conta detalhadamente como cada momento histórico foi determinante para a situação atual do país, sempre fazendo comentários bem críticos sobre os acontecimentos, que muitas vezes são chocantes e muito tristes, outras vezes extremamente interessantes e ricos culturalmente. Fiquei tocada com os relatos cheios de emoção sobre a destruição de patrimônios culturais pelo Talibã.

                


Algo que eu achei muito interessante na história de Malala foi a quebra alguns tabus acerca de como julgamos o que nos é culturalmente distante. Durante todo o livro, ela coloca bem claramente que ama seu país apesar de tanta violência ter se instalado ali e lamenta muito atualmente estar longe de casa, Malala também coloca suas crenças religiosas muito concretamente, afirmando várias vezes que o que a assusta é a maneira como o Talibã distorce o Islamismo e torna-o sinônimo de violência e intolerância. 


"Eu não conseguia entender o que o Talibã tentava fazer. "Eles estão caluniando nossa religião", falei em entrevistas. "Como você vai aceitar o Islã se eu apontar uma arma para sua cabeça e afirmar que o Islã é a verdadeira religião? Se eles querem que todas as pessoas do mundo sejam mulçumanas, por que primeiro não se mostram bons mulçumanos?"".
Eu sou Malala, pgn 159.

Achei também muito interessante a transcrição das palavras de um amigo do pai de Malala, e apesar de serem dois contextos políticos, religiosos e sociais totalmente diferentes, não pude deixar de refletir acerca da semelhança de comportamentos entre o Talibã enquanto líderes políticos e os líderes políticos de países como o Brasil, em que a população é vítima de uma corrupção cada vez mais profunda.

"[...] É assim que esses militantes agem. Querem ganhar os corações e as mentes do povo. Por isso, primeiro analisam os problemas locais e atacam os responsáveis por eles. Deste modo conseguem o apoio da maioria silenciosa. Foi o que fizeram no Waziristão (o talibã), onde perseguiram bandidos e sequestradores. Depois, quando tomaram o poder, comportaram-se como os criminosos que um dia caçaram."
Eu sou Malala, pgn 125.


Malala enquanto ativista se tornou uma forte representante feminista no mundo todo. Aqui é importante lembrar o que é o feminismo e como este movimento se revela em diferentes culturas, em diferentes lugares do mundo: nenhum movimento social advém de uma forma de bolo com ideias e atitudes limitadas, imutáveis e pré definidas, porém mantem-se o cerne da causa, que no caso é a equivalência de direitos entre os gêneros com foco na minoria psicológica que é o sexo feminino, em especial em países como o de Malala. Ela coloca isso de uma forma muito interessante, mais uma vez quebrando tabus de sua religião no seguinte trecho:

"[...]Significa que queremos tomar decisões por conta própria. Queremos ser livres para ir à escola ou para ir trabalhar. Não há nenhum trecho no Corão que obrigue a mulher a depender do homem. Nenhuma mensagem dos céus estabeleceu que toda mulher deve ouvir um homem."
Eu sou Malala, pgn 230.

A história de Malala é realmente maravilhosa, ler sobre uma menina tão corajosa para sua idade, que defendeu o que acreditava e não se arrependeu de sua postura crítica e ativista mesmo após sofrer um atentado e quase morrer. Não quero me estender no post para que não fique muito grande (estou trabalhando isso, sintetizar minhas ideias aqui hihihi) e isso vai ser vantajoso até mesmo pelo fato de que assim espero despertar mais ainda a curiosidade dos meus leitores, e que venham a ler a biografia dessa menina incrível. Se eu fosse pontuar aqui tudo que eu gostei, o post iria virar outro livro, pois realmente neste livro eu marquei muitas passagens. Inclusive quero deixar aqui essa dica que aprendi com a minha querida ex professora de psicanálise, Alba Dezan: Marque seus livros com post-it's, assim você vai aliviar a vontade horrível de rabiscar ou marcar cada parte/página que te encantou no livro. O resultado de Eu sou Malala  para mim foi esse:



Para finalizar esse post, coloco que a biografia de Malala não poderia ser mais feliz em seu objetivo, é de fato uma biografia (apesar do enfoque em seu ativismo e no atentado que sofreu), que trata de sua vida desde antes de seu nascimento (conta um pouco sobre a história de seus pais, o casamento e a gravidez de sua mãe) até sua atual rotina, em Birmingham (Inglaterra) onde estuda e vive bem com sua família, apesar de todos sentirem muita falta do Paquistão. Por fim, deixo uma frase muito pessoal de Malala que resume um pouco o trabalho maravilhoso dessa menina que desde tão pequena exerceu um papel tão grande não somente em seu país, mas como exemplo no mundo todo.

"Não quero ser lembrada como "a menina que foi baleada pelo Talibã" mas como "a menina que lutou pela educação". Esta é a causa para a qual estou dedicando minha vida."
Eu sou Malala, pgn 323.


Resenha: O Estranho Caso do Cachorro Morto - Mark Haddon


Olá meninxs ! Hoje o post é sobre o último livro que eu li !
O Estranho Caso do Cachorro Morto, de Mark Haddon é realmente um livro que vai entrar para a lista de livros que eu recomendo, especialmente para quem estuda Psicologia ♥ Mas é claro que isso é um detalhe, pois quem não estuda ou não se interessa pela Psicologia em si também pode adorar, tanto que esse meu exemplar foi "roubado" do meu irmão (foi um dos livros da lista de literatura da oitava série do colégio em que ele estuda). Eu vi a Melina Souza falando sobre um outro livro desse autor no blog dela ( Uma Coisa de Nada, que também promete ser muito emocionante) e lembrei na hora que O Estranho Caso do Cachorro Morto tava perdido por aqui...
É um livro de rápida leitura, pois ele não é muito extenso e as letras são maiores, facilitando a leitura. Eu recomendaria para quem está começando a adotar o hábito de ler e também para adolescentes.

Bem, O Estranho Caso do Cachorro Morto traz de forma divertida e emocionante a forma como um garoto com Síndrome de Aspenger vê coisas simples e interage com outras pessoas e o ambiente, além de falar também sobre problemas familiares e relações de afeto.
Uma das coisas que eu logo pensei ao terminar de ler o livro foi em escrever aqui como eu gostaria de ler a história sobre o ponto de vista de um dos pais de Christopher. Isso vindo da minha pessoa é um fato muito inédito, porque geralmente eu não tenho tanto interesse por ler a mesma história do ponto de vista de outros personagens como eu vejo várias pessoas fãs de best sellers querendo (fanfics da saga Crepúsculo e Cinquenta Tons são mestres nisso, inclusive tem uma parte da história contada por Christian no fim de Cinquenta Tons de Liberdade). Talvez até porque esse livro não é uma literatura simples, é bem carregado de questões emocionais e éticas que despertam uma variedade de opiniões e vivências.

Então, vamos ao que interessa.
O Estranho Caso do Cachorro Morto conta uma parte da vida de Christopher, um menino com Síndrome de Aspenger (um transtorno do especto autista) que possui incrível capacidade com números e usa muito a razão para compreender as coisas, mas possui algumas limitações sociais, como por exemplo não compreender piadas e não gostar que as pessoas o toquem. Um dia Christopher encontra o cachorro da vizinha morto e se sensibiliza muito, pois ama animais. Decide então fazer uma investigação sobre quem matou o cachorro da vizinha. O que ele não esperava era que seu trabalho de detetive fosse leva-lo a tantos outros assuntos que ele nem imaginava estarem ligados ao caso do cachorro morto.

É um livro que consegue ser divertido, adorável e ao mesmo tempo extremamente tocante, pelos assuntos que ele traz à reflexão do leitor.


Tirei essa foto da capa de trás do livro, porque eu simplesmente fiquei eufórica quando vi a breve crítica do Oliver Sacks ♥ Eu simplesmente AMO o Sacks, é um caso de amor muito bem correspondido (por meio das obras dele). E mais uma vez ele descreveu justamente o que eu senti em suas obras e nessa linda obra de Mark Haddon: Contagiante, plausível e engraçado. A parte de que Haddon soube descrever aspectos da mente autista primorosamente eu nem preciso comentar. Chega me deu um sentimento bom de "vou reler um livro do Oliver e fazer uma resenha tri linda aqui no blog" ♥


Bem, é isso, meninxs ! Espero meeeesmo que vocês tenham se interessado pelo livro (Eu procuro transmitir ao máximo o que eu senti com a experiência da leitura sem deixar escapar fatos que só o leitor deve encontrar na sua própria experiência). Acreditem, esse livro vale a pena ! Para terminar, quero colocar mais uma observação: A de que este é um daqueles livros que no começo parecem que não vão surpreender, mas antes da metade ele vem de surpresa e de repente com um fato extremamente bombástico que faz você atrasar seu horário da academia pra ler mais três páginas pelo menos. É uma das coisas que eu amo em livros, ele estar bom e ficar melhor com uma revelação que faz o leitor sentir necessidade de saber mais um pouco.

* Blog da Melina Souza (A Series of a Serendipity)